Recentemente, FHC publicou o artigo “O Papel da Oposição” que fez governistas e oposicionistas discursarem muito sobre seus papéis na sociedade. Infelizmente nada saiu de bom desta discussão. Somente apoiaram ou criticaram se o foco da mensagem de seus partidos deveria ser o povo ou as “novas classes possuidoras”.
O Brasil não tem oposição hoje. A maioria é governo, portanto também não tem governo. Não existem diferenças ideológicas entre os políticos atuais, e pior são na maioria fisiológicos, e irão migrar para o governo.
Vemos uma briga de poder (dentro e fora dos partidos), nunca de idéias ou de proposições. O PT se apossou da política econômica liberal do governo FHC, e se aproveitou do crescimento da arrecadação para aumentar a política assistencialista, presente em todos os governos anteriores, porém sem efetividade por falta de recursos, pois eficiência até agora nenhum teve. O PSDB não conseguiu se apropriar do crédito desta política econômica, pois cada cacique do partido, em uma disputa de arrogância, se achava maior que o bem produzido no governo FHC. Aliás, está cada vez mais difícil identificar quem é de esquerda ou quem é de direita (se é que ainda existe esta divisão). Tanto PSDB como PT surgiram dentro de movimentos de esquerda, um mais politizado / intelectualizado outro mais revolucionário / populista. Ambos mudaram!!! Na verdade, convergiram e sucumbiram ao modelo retrógrado e reacionário de fazer política no Brasil.
Desde a queda do muro de Berlim, a questão ideológica vem perdendo espaço. O regime democrático capitalista vem se demonstrando o “menos pior” de todos os outros. Portanto os governos devem manter algumas políticas assistencialistas e o mercado deve ter um grau de liberdade, aqui não há questões ideológicas, mas puramente de mercado. Vimos recentemente na crise econômica de 2008-2009 que, quando precisou, os governos mais liberais do mundo entraram no mercado para manter empresas e segurar o desemprego. Países como o Brasil com baixos índices de qualidade de vida precisam mais de políticas de distribuição de renda do que os países do primeiro mundo. Alguns países do primeiro mundo, capitalistas, têm fortes políticas de benefícios públicos como os nórdicos. Assim, onde a régua entre liberdade de mercado e atuação do governo ficará situada depende da situação de competitividade sócio-econômica daquele país.
Algumas causas podem ter seu espaço e o povo até demonstrou isso na última eleição presidencial com a grande votação da Marina, pelo Partido Verde. A causa verde, ecológica e sustentável, é hoje uma das maiores preocupações da população. Outras causas ganham cada vez mais espaço como a dos direitos humanos, a da democracia no sentido da liberdade de expressão (não somente o regime de governo). Também temas que afetam diretamente o dia-a-dia do cidadão como impostos, segurança, incluindo tráfico de drogas, de armas, de órgãos humanos, a violência urbana são causas que merecem bandeiras. Até a causa da proteção da indústria nacional une trabalhadores e empresários (quem poderia imaginar esses dois unidos???), aliás que também se unem quando se fala em SELIC, ambos contrários à alta taxa de juros.
Será que estamos agora na época de esquecer ideologias e pensar em causas? Será que a sociedade ainda está partida (em partidos políticos)? Ou será que a sociedade irá se agrupar em causas ao invés de se separar em partidos?
Infelizmente a corrupção continua (não sei se aumentou ou se o ganho de maturidade das instituições públicas fez aumentar a exposição dos atos governamentais). Acho que teria uma grande votação o Partido AntiCorrupção....
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