Infelizmente nosso país é imaturo em termos políticos.
O povo não consegue separar ideologia de populismo, proteção de coronelismo, coisa pública de uso privado. Pior ainda esta onda de opiniões para colocar em conflito governo (os integrantes populistas de esquerda) com os militares (alguns ditadores de direita). Não podemos deixar crescer a disputa polarizada entre os extremos. Os de centro devem manter o controle e diminuir o volume da discussão.
O Brasil precisa de maturidade política, anos de democracia e muita educação para conseguir trazer a discussão política para o centro e manter forte esta condição. Hoje ainda há quem acredite (espero que não muitos) que a solução é através da força, quer seja da direita (neste caso os militares), quer seja da esquerda (os radicais que usam MST e outros movimentos para promover a desordem).
Tenho muita esperança que Dilma e seus sucessores (de qual partido for) façam este tipo de discussão desaparecer, consigam afastar os que se aproveitam da coisa pública para uso particular e foquem no que é mais importante: o desenvolvimento da economia e melhora na qualidade de vida do brasileiro.
Ainda precisamos de mais 20 anos nesta condição!!!
Tá com vontade de falar?
sábado, 3 de março de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Preços no Brasil: imposto+margem ou tem outros fatores???
Tenho visto alguns comentários, posts e textos sobre os preços no Brasil, que realmente são abusivos, extremamente superiores a praticados em outros países. Esta é uma situação que terá conseqüências graves em um breve futuro.
Porém a análise não é tão simples como colocam em alguns desses comentários. É real que o Brasil tem uma carga tributária imensa e que as margens dos produtos são enormes, mas só isso não explica os preços por aqui.
O grande problema do Brasil é a eficiência.
Tenho certeza que você já ouviu falar do custo Brasil. Este custo é composto, além de impostos, por ineficiências, restrições, péssimas condições de operação empresarial, juros e ainda por uma cultura de rápido retorno.
Tanto impostos abusivos como margens de lucro altas são conseqüências de outros fatores. É um texto de forma geral desta questão no Brasil, mas em alguns pontos vou focar o mercado de vinhos importados. Vamos às principais:
Concluindo, a alta carga de impostos é um dos causadores dos enormes preços no Brasil sim é. Mas o governo precisa manter esta carga para conseguir cumprir com o custeio da máquina que, por sua vez, não traz benefícios para a economia, portanto empresas, portanto aos empregados.
Por sua vez, os empresários colocam altas margens para 1) para compensar este custo Brasil e 2) para remunerar o alto risco de ser empreendedor no Brasil, pois ainda vivemos uma estabilidade muito frágil. Um empresário faz um investimento de porte médio para baixo buscando um retorno de capital entre 2 e 3 anos.
Então o que temos que mudar:
1) O governo precisa ser mais eficiente. A arrecadação com os impostos precisa retornar mais para a infra-estrutura para as empresas. Reduzir a burocracia.
2) Criar melhores condições de competição nas áreas de telecomunicações, energia e financeira. As empresas precisam baixar seus preços
3) Merece um item: o spread bancário precisa cair drasticamente. Necessitamos de mais competição no mercado financeiro, os bancos governamentais precisam exercer um papel mais decisivo aqui. O Banco Central precisa reduzir o depósito compulsório para aumentar a oferta de dinheiro e os bancos comerciais precisam ser menos gananciosos!!! Talvez a criação de uma agência reguladora poderia reduzir os ganhos dos bancos.
4) Melhorar a malha logística, desde portos, rodovias, aéreo (reduzir custos!!!) e incrementar muito a ferrovia.
5) O empresário precisa ter confiança no país e na estabilidade político-econômica e fazer investimentos de mais longo prazo. O retorno irá acontecer ao longo de dez, quinze, vinte anos.
Porém a análise não é tão simples como colocam em alguns desses comentários. É real que o Brasil tem uma carga tributária imensa e que as margens dos produtos são enormes, mas só isso não explica os preços por aqui.
O grande problema do Brasil é a eficiência.
Tenho certeza que você já ouviu falar do custo Brasil. Este custo é composto, além de impostos, por ineficiências, restrições, péssimas condições de operação empresarial, juros e ainda por uma cultura de rápido retorno.
Tanto impostos abusivos como margens de lucro altas são conseqüências de outros fatores. É um texto de forma geral desta questão no Brasil, mas em alguns pontos vou focar o mercado de vinhos importados. Vamos às principais:
Impostos
A carga tributária sobre o PIB no Brasil é em torno de 35%. 12 pontos percentuais acima da Argentina (quase 50% maior) e 7 pontos acima dos EUA (25% maior).
Quando falamos de carga tributária, não só de ICMS, IPI e Cofins tratamos. Inclua-se ai IPTU, IPVA, enfim uma série de impostos que não estão ligadas à operação da empresa, mas que compõe sua base de custo.
E outro complicador que não se menciona muito é a complexidade das leis. As empresas precisam manter departamentos inteiros ou contratar empresas especializadas para cumprir integralmente com a legislação fiscal e outras burocracias. Uma empresa de pequeno porte dificilmente tem condições de cumprir com toda essa legislação e ai abre-se uma porta para a corrupção.
Corrupção:
Temos um governo corrupto que precisa de burocracia e leis complicadas para manter essa corrupção. Se o governo já é sócio do nosso negócio com os impostos, a corrupção faz com que os fiscais do governo também fiquem sócios.
Vocês devem imaginar o que é desembaraçar um container no porto. Muitas vezes o produto fica retido por meses no porto esperando uma solução burocrática. E ainda complicam mais, incluindo o tal selo no vinho. O capital empatado e a operação logística com mais operações vai encarecendo o produto ali parado no porto.
Custo do Capital:
A taxa básica da economia está em 10,5% ao ano, levando os juros reais para 4,9% (descontando a inflação). Agora se o empresário brasileiro tivesse acesso a crédito nesse patamar de taxa de juros estaríamos no céu.
O custo do capital está em torno de 30% ao ano. Adicione-se a isso a dificuldade em obter crédito.
Imagine novamente na situação acima para a liberação do container no porto, o impacto do custo do capital no preço da mercadoria.
Custo da folha de pagamento:
Além dos impostos incidentes sobre o produto e sua movimentação, também outro custo torna a operação brasileira entre as mais caras do mundo. Enquanto nos EUA, os encargos sobre a folha de pagamento giram em torno de 6 a 7%, no Brasil chega a ser de 80% (sem contar benefícios extras que as empresas oferecem).
Eu sou do mercado de tecnologia da informação e sei o quão pouco competitivo somos no mercado mundial de desenvolvimento de software devido principalmente ao custo da mão de obra por aqui.
Infra-estrutura:
O Brasil está muito, mas muito atrasado neste quesito. Falo da infra-estrutura de toda ordem: logística, telecomunicações, energia, educação.... entre outras.
Logística: dependemos de um único modal interno: rodoviário, que não é a de menor custo. Também é a de menor segurança, mais suscetível a assaltos. Devido a esta falta de segurança, as empresas são obrigadas a ter sua própria esquema de segurança. Mais custo!
Portos ruins de operação deficiente e estrutura atrasada, estradas de péssima qualidade ou quando não com alto custo de pedágios, o pior combustível do mundo (nossa gasolina ou diesel é umas das mais ineficientes). De novo, vários fatores que geram custo e ineficiência.
Telecomunicações e energia: é das mais caras do mundo. O Brasil precisou dar um salto de qualidade nos anos 90, estávamos muito defasados do mundo. Foram pesados investimentos que estamos pagando a conta ainda.
Conheço várias empresas que deixam de manter operação fabril no Brasil devido a estes custos. Um exemplo é a indústria de papel (por um lado felizmente não instalam outras unidades aqui, pois é um setor muito poluidor) que é intensivo em energia elétrica.
Educação: o brasileiro é um dos melhores profissionais que já vi no mundo, porém somos muito mal formados. Péssimas escolas de base e uma enxurrada de faculdades e universidades sem a menor condição de formação adequada de mão de obra qualificada. A universidade pública, que é de boa qualidade, acaba recebendo os alunos das melhores escolas secundárias, portanto as pagas. Mesmo o 2º grau que poderia formar técnicos, são raros os casos de escolas que formam adequadamente. Portanto acabamos por ter uma mão de obra não tão eficiente, que apesar de todo o esforço, criatividde do profissional brasileiro.
Ineficiência de gastos do governo:
Pode parecer retórica, mas o fato de pagarmos altos impostos e não termos em retorno de serviços eficientes de saúde, educação, moradia, traz mais custo para as empresas. Ela acaba tendo que ocupar esta falha do governo. Os gastos com programas sociais têm que dar o segundo passo: primeiro trouxe o peixe, agora precisa ensinar a pescar. Isto quer dizer, formar melhor mão de obra e gerar condições de aumentar o emprego.
Além da ineficiência de serviços para a população, a falta de investimentos na infra-estrutura causa problemas que podem gerar um apagão neste país, um apagão logístico, de energia, de mão de obra... Muito preocupante.
Uma frágil estabilidade:
Tudo é recente neste país. A estabilização política ainda não tem 30 anos. Muitos dos políticos atuais que gravitam no poder ainda são da geração da ditadura militar. Como a transição não foi uma ruptura, foi negociada, a população teve uma participação parcial no processo, ainda existem resquícios da cultura política de outrora.
A estabilidade econômica é mais recente ainda. Ainda brigamos para evitar a inércia inflacionária. Apesar de o governo atual ter mantido a política econômica que gerou esta estabilidade, vemos alguns setores do próprio governo dar menos importância a uma estabilidade econômica impulsionando gastos de custeio que não trarão incentivo à economia.
Com toda esta incerteza, o empresário coloca no seu custo o risco Brasil!!
Concluindo, a alta carga de impostos é um dos causadores dos enormes preços no Brasil sim é. Mas o governo precisa manter esta carga para conseguir cumprir com o custeio da máquina que, por sua vez, não traz benefícios para a economia, portanto empresas, portanto aos empregados.
Por sua vez, os empresários colocam altas margens para 1) para compensar este custo Brasil e 2) para remunerar o alto risco de ser empreendedor no Brasil, pois ainda vivemos uma estabilidade muito frágil. Um empresário faz um investimento de porte médio para baixo buscando um retorno de capital entre 2 e 3 anos.
Então o que temos que mudar:
1) O governo precisa ser mais eficiente. A arrecadação com os impostos precisa retornar mais para a infra-estrutura para as empresas. Reduzir a burocracia.
2) Criar melhores condições de competição nas áreas de telecomunicações, energia e financeira. As empresas precisam baixar seus preços
3) Merece um item: o spread bancário precisa cair drasticamente. Necessitamos de mais competição no mercado financeiro, os bancos governamentais precisam exercer um papel mais decisivo aqui. O Banco Central precisa reduzir o depósito compulsório para aumentar a oferta de dinheiro e os bancos comerciais precisam ser menos gananciosos!!! Talvez a criação de uma agência reguladora poderia reduzir os ganhos dos bancos.
4) Melhorar a malha logística, desde portos, rodovias, aéreo (reduzir custos!!!) e incrementar muito a ferrovia.
5) O empresário precisa ter confiança no país e na estabilidade político-econômica e fazer investimentos de mais longo prazo. O retorno irá acontecer ao longo de dez, quinze, vinte anos.
Lei da Ficha Limpa: avanço ou tutela?
A Lei da Ficha Limpa está aprovada. Agora aqueles condenados em órgão judicial colegiado ( mais de um juiz) ou transitada em julgado (sentença definitiva e irrecorrível) não podem se candidatar a um cargo eletivo (vereador, deputado, senador, prefeito, governador, presidente).
Uma conquista formidável para o povo brasileiro. Dizem alguns especialistas que será uma revolução na política nacional.
Mas porque precisamos de uma lei para impedir candidaturas de pessoas com problemas na justiça? Ainda precisamos de leis que exprimem apenas o bom senso?
Eleição deveria servir para uma seleção natural dos melhores candidatos. Quero dizer por melhores candidatos aqueles que irão (se não já foram e estão tentando uma reeleição) propor, aprovar e aplicar leis para otimizar o uso dos recursos públicos para melhorar a vida da população. Portanto, candidatos com passado ligado à corrupção deveriam ser os primeiros a serem eliminados pela “seleção natural” das eleições. Mas não o são!!! Esse é um fato.
Com exceções raríssimas, os poderes legislativo, executivo e judiciário estão cheios de maus elementos que visam primeiro se apoderarem da coisa pública para uso privado, para o benefício de uma pessoa ou de um partido.
Dirão alguns que esta não é uma realidade só no Brasil, outros países mesmo do chamado primeiro mundo sofrem com governantes corruptos ou aproveitadores da coisa pública. É verdade, existem. Mas são severamente punidos pela justiça e principalmente pela opinião pública. O que não acontece aqui no Brasil. Vemos políticos acusados (se não condenados) por maus feitos (a palavra da moda para corrupção) que voltam ao teatro político, alguns ainda de forma triunfal.
Sinceramente, sinto vergonha quando acontece isso!!!
Então, porque no Brasil não acontece essa seleção natural?
Em minha opinião, esta situação é resultado de uma cultura secular de exploração, junto com uma democracia ainda jovem e por fim de baixa educação da população. Talvez esteja simplificando uma questão muito complexa, mas temos que atacar o que está ao nosso alcance.
Cultura secular e democracia jovem são dois itens que não podemos mudar.... Ambos são uma questão de tempo, e o tempo é inexorável e, como diria o Magri, “imparável”.
Portanto, resta atuar na educação do povo!!!
Um desvio do tema, mas que tem sentido no contexto final. Fico algumas vezes avaliando o conflito ético de determinados setores da economia. Do ponto de vista puramente de mercado, qual seria a estratégia de pesquisa de uma indústria farmacêutica? Remédio que mantém a pessoa doente, não cure, mas que não a deixe morrer. Assim seu mercado permanece!!! Óbvio que as indústrias farmacêutica não fazem isso, é só um exercício mental.
Outra indústria: a de armamentos de guerra. Ela sobrevive se existir guerras. Portanto, imaginem uma campanha publicitária de uma empresa assim... E ainda outras como a indústria da droga, do cigarro, de anti-virus para computadores. Todas têm um conflito ético para resolver.
Aqui fica uma pergunta? Do ponto de vista de mercado, qual a motivação de um governo investir na educação política da população? Um povo educado politicamente é mais crítico a qualquer governo. Será que foi este o medo dos nossos legisladores para nunca terem proposta uma lei como esta? Afinal esta lei também serve como uma aula de boa política.
Mas voltando ao tema central, ainda precisamos de leis que criam regras de conduta, isto é, leis como a da Ficha Licha que impede votar em corrupto!!! Parece óbvio, mas ainda precisamos desta tutela.
Será que precisamos de outras leis parecidas? Leis como experiência mínima para candidato a governador e presidente? Atuação prévia comprovada na sua comunidade para se candidatar a vereador?
Somos imaturos politicamente. Teremos muitos anos pela frente para aprender a votar, a separar disputas ideológicas de brigas fisiológicas pelo poder.
Só espero que nos dêem este tempo para aprender .....
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Quem são os 166 deputados federais que votaram a favor da cassação do mandato de Jaqueline Roriz?
Jaqueline Roriz, filha de Joaquim Roriz, é aquela que foi flagrada recebendo dinheiro em espécie de Durval Barbosa, fato que veio à tona no início deste ano. Foi acusada de quebra de decoro parlamentar.
Veja esta reportagem do Jornal Nacional que mostra o vídeo em que Jaqueline recebe o dinheiro: http://www.youtube.com/watch?v=w_uggkMEHx0&feature=related
Nesta semana, o plenário da Câmara dos Deputados arquivou o processo de cassação em votação secreta pelo placar de 265 votos contra a cassação, 166 votos a favor e 20 abstenções (incluída aqui a própria Jaqueline).
Nem vale a pena comentar a indignação pela "absolvição" dela. Independente do momento em que aconteceu o fato e do motivo, ela "É" uma criminosa, já que ela mesma admitiu ter recebido aquele dinheiro. Não consigo aceitar que o nosso parlamento seja uma casa que acolhe criminosos!!!
Mas o que também veio à tona é a questão da votação secreta. Uma pergunta fica no ar:
se a votação fosse aberta, a Sra. Jaqueline seria absolvida????
Muito provavelmente não. Então veio uma ideia à minha cabeça vendo a reportagem do CQC quando a Monica disse algo como "o deputado que declarou o voto [na entrevista], votou a favor da cassação; se não declarou o voto, votou contra a cassação".
É justamente este levantamento, dos deputados que declararam seu voto e dos que não declararam seu voto, que estou propondo aqui!!!
Fiz uma tabela com os 513 deputados federais com algumas colunas: 1) nome; 2) partido; 3) qtde de votos; 4) estado; 5) qual é a minha suspeita atual da orientação do voto do(a) deputado(a): contra ou a favor da cassação, ou ainda abstenção; 6) confirmação do voto contra, a favor ou abstenção; 7) a justificativa da minha suspeita para preencher a coluna 5.
Na coluna justificativa, coloquei as seguintes razões para o voto do parlamentar:
- sem justificativa: não se enquadrou em nenhuma outra justificativa, portanto votou contra a cassação;
- orientação do partido: alguns partidos, principalmente os de oposição, orientaram sua bancada a votar a favor da cassação;
- discurso em plenário: o deputado Reguffe (PDT - DF) e a deputada Érika Kokay (PT - DF) discursaram em plenário na sessão de votação da cassação e declararam abertamente seus votos a favor da cassação;
- nota emitida: o deputado Romário de Souza Faria (PSB - RJ) publicou uma nota em que afirma ter votado a favor da cassação.
GOSTARIA QUE VOCÊS ME AJUDASSEM A CORRIGIR A TABELA. SE SOUBEREM DO VOTO DE ALGUM PARLAMENTAR QUE SEJA DIFERENTE DA TABELA, POR FAVOR COMENTEM ABAIXO O VOTO CORRETO.
Enfim, abaixo a tabela com todos os deputados como cada um votou em minha suposição até o dia de hoje:
Aguardo o comentário de vocês.....
Veja esta reportagem do Jornal Nacional que mostra o vídeo em que Jaqueline recebe o dinheiro: http://www.youtube.com/watch?v=w_uggkMEHx0&feature=related
Nesta semana, o plenário da Câmara dos Deputados arquivou o processo de cassação em votação secreta pelo placar de 265 votos contra a cassação, 166 votos a favor e 20 abstenções (incluída aqui a própria Jaqueline).
Nem vale a pena comentar a indignação pela "absolvição" dela. Independente do momento em que aconteceu o fato e do motivo, ela "É" uma criminosa, já que ela mesma admitiu ter recebido aquele dinheiro. Não consigo aceitar que o nosso parlamento seja uma casa que acolhe criminosos!!!
Mas o que também veio à tona é a questão da votação secreta. Uma pergunta fica no ar:
se a votação fosse aberta, a Sra. Jaqueline seria absolvida????
Muito provavelmente não. Então veio uma ideia à minha cabeça vendo a reportagem do CQC quando a Monica disse algo como "o deputado que declarou o voto [na entrevista], votou a favor da cassação; se não declarou o voto, votou contra a cassação".
É justamente este levantamento, dos deputados que declararam seu voto e dos que não declararam seu voto, que estou propondo aqui!!!
Fiz uma tabela com os 513 deputados federais com algumas colunas: 1) nome; 2) partido; 3) qtde de votos; 4) estado; 5) qual é a minha suspeita atual da orientação do voto do(a) deputado(a): contra ou a favor da cassação, ou ainda abstenção; 6) confirmação do voto contra, a favor ou abstenção; 7) a justificativa da minha suspeita para preencher a coluna 5.
Na coluna justificativa, coloquei as seguintes razões para o voto do parlamentar:
- sem justificativa: não se enquadrou em nenhuma outra justificativa, portanto votou contra a cassação;
- orientação do partido: alguns partidos, principalmente os de oposição, orientaram sua bancada a votar a favor da cassação;
- discurso em plenário: o deputado Reguffe (PDT - DF) e a deputada Érika Kokay (PT - DF) discursaram em plenário na sessão de votação da cassação e declararam abertamente seus votos a favor da cassação;
- nota emitida: o deputado Romário de Souza Faria (PSB - RJ) publicou uma nota em que afirma ter votado a favor da cassação.
GOSTARIA QUE VOCÊS ME AJUDASSEM A CORRIGIR A TABELA. SE SOUBEREM DO VOTO DE ALGUM PARLAMENTAR QUE SEJA DIFERENTE DA TABELA, POR FAVOR COMENTEM ABAIXO O VOTO CORRETO.
Enfim, abaixo a tabela com todos os deputados como cada um votou em minha suposição até o dia de hoje:
Aguardo o comentário de vocês.....
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Anders Behring Breivik: Como surgiu este monstro? Dá para evitá-lo?
O primeiro mundo está sendo envenenado pelo próprio veneno. A globalização, que prega a queda das fronteiras, inicialmente as econômicas e comerciais (assim era o objetivo das empresas que buscavam novos mercados e mão-de-obra mais barata), agora também é das fronteiras culturais, raciais e religiosas. A globalização de todas as fronteiras é inevitável com a tecnologia atual, a facilidade de comunicação, o trânsito livre de capitais e mercadorias e a migração de pessoas devida principalmente às desigualdades de qualidade de vida entre países.
Mesmo no Brasil e nos EUA, que se formaram com imigrações de vários países e portanto com a miscigenação de povos, o preconceito entre raças é grande. Loucos têm em todo lugar do mundo, mesmo em países mais desenvolvidos. E esses loucos, quando pressionados como, por exemplo, falta de emprego (ocupado por um imigrante) e também pelo convívio por práticas culturais diferentes, têm atitudes totalmente fora dos padrões, até desumanas. O que fazer?
(1) Reduzir diferenças mundiais: países ricos e grandes empresas deveriam investir na melhoria da qualidade de vida da população e trabalhadores de países subdesenvolvidos e assim tentar reduzir a migração;
(2) Evitar tensões culturais, raciais e religiosas: os governos que recebem imigrantes devem fazer campanhas para acolhê-los no sentido de mostrar à sua população a riqueza da cultura dos povos que estão imigrando e demonstrar que as diferenças são importantes e construtivas para os seus países;
(3) Medidas paliativas: proibir o comércio de armas, criminalizar a demonstração de xenofobia e radicalismos políticos, raciais ou religiosos.
Na verdade, uma nova ordem mundial está surgindo. São naturais as tensões para a mudança e vamos ainda ver mais atitudes insanas como a deste norueguês, até que um novo equilíbrio seja alcançado. Esta nova ordem enaltecerá a preservação da Terra e terá uma hierarquia mundial de gerenciamento de políticas globais e locais para que se diminuam as diferenças e melhore a qualidade média de vida da população no planeta.
Mesmo no Brasil e nos EUA, que se formaram com imigrações de vários países e portanto com a miscigenação de povos, o preconceito entre raças é grande. Loucos têm em todo lugar do mundo, mesmo em países mais desenvolvidos. E esses loucos, quando pressionados como, por exemplo, falta de emprego (ocupado por um imigrante) e também pelo convívio por práticas culturais diferentes, têm atitudes totalmente fora dos padrões, até desumanas. O que fazer?
(1) Reduzir diferenças mundiais: países ricos e grandes empresas deveriam investir na melhoria da qualidade de vida da população e trabalhadores de países subdesenvolvidos e assim tentar reduzir a migração;
(2) Evitar tensões culturais, raciais e religiosas: os governos que recebem imigrantes devem fazer campanhas para acolhê-los no sentido de mostrar à sua população a riqueza da cultura dos povos que estão imigrando e demonstrar que as diferenças são importantes e construtivas para os seus países;
(3) Medidas paliativas: proibir o comércio de armas, criminalizar a demonstração de xenofobia e radicalismos políticos, raciais ou religiosos.
Na verdade, uma nova ordem mundial está surgindo. São naturais as tensões para a mudança e vamos ainda ver mais atitudes insanas como a deste norueguês, até que um novo equilíbrio seja alcançado. Esta nova ordem enaltecerá a preservação da Terra e terá uma hierarquia mundial de gerenciamento de políticas globais e locais para que se diminuam as diferenças e melhore a qualidade média de vida da população no planeta.
sábado, 30 de julho de 2011
Vale a pena dar asilo para o Battisti?
O Brasil lutou muitos anos para se tornar uma democracia com instituições em pleno funcionamento. A esta, se seguiu uma outra luta para se inserir em um ambiente mundial de normalidade de relações multilaterais político-economico-comerciais.
Trocando em miúdos: nos esforçamos muito para conseguir manter relações com outros países em igualdade de condições, nos inserindo em fóruns internacionais e fazendo acordos bi ou multilaterias, após a fase negra da ditatura militar no país que denegriu e manchou a reputação do país.
Assim, o povo brasileiro não quer ficar FORA DO MUNDO!!!
Segundo: como não queremos que nossa soberiania seja aviltada, da mesma forma temos a responsabilidade e a obrigação de envidar todos os esforços para garantir a soberania de países que tenham a mesma normalidade de instituições que o Brasil. No caso: Battisti é um italiano que foi condenado pela justiça italiana por crimes na Itália contra italianos..... Afinal, qual soberania está sendo aviltada neste evento??
Não é uma discussão de direita ou esquerda. Não entro no mérito se Battisti cometou crimes sob a égide de luta política. Meu ponto é que devemos cumprir os acordos entre as nações para que a imagem do Brasil novamente não seja ligada a de uma republiqueta com desmandos vindo de posições autocráticas e ideológicas. Se efetivamente o Brasil tem algo a dizer, que vá dizer em fóruns adequados para defender suas posições no caso Battisti.
O QUE SERÁ DO BRASIL COM DILMA?
Comentário no Estadão - 14/09/2010
A disputa pela Presidência está polarizada entre Dilma e Serra. Na verdade, segundo as últimas pesquisas de opinião, a disputa será unipolar, se é que existe uma disputa somente com um polo. Mas se confirmando a vitória da Dilma, como será o governo dela? Ela terá a habilidade e força para controlar a ânsia da esquerda petista em transformar o governo em sede do PT e para peitar o avanço do PMDB nos principais cargos de órgãos e empresas estatais?
A Dilma, pelo seu passado voltado para a luta armada revolucionária, tem uma ligação muito forte com os radicais de esquerda, tem como ideologia o controle absoluto dos meios de produção e de comunicação. Apesar de não ser um membro histórico do PT, tem mais sintonia com algumas vertentes marxistas do PT do que o lado liberal. E foi o lado liberal do PT que conseguiu continuar as importantes mudanças que o governo FHC realizou. No Ministério da Fazenda, o Lula colocou o Palocci e no Banco Central, o Henrique Meirelles, que era deputado federal do PSDB por Goiás. Manteve as principais linhas liberais na gestão da economia: controle da inflação, controle dos gastos, Banco Central autônomo para garantir a moeda, cambio flexível. Portanto, não há garantia de que a Dilma mantenha a atual política econômica.
Ao longo do governo Lula, os principais líderes que poderiam suceder-lhe foram caindo pelo caminho: Dirceu, Genoino, Gushiken, Palocci. Todos caíram devido a escândalos no uso da máquina pública em proveito do partido e até próprio, como, por exemplo, o mensalão. A ecorradical Marina Silva também foi colocada de lado. Nenhum outro líder conseguiu aparecer, primeiro, porque o próprio Lula se fez tão iluminado que todos ficaram à sua sombra e, segundo, porque o PT carece de representantes para ocupar o cargo de presidente da República.
Assim, a Dilma foi escolhida porque, na verdade, não tem passado político, seria fácil colar a figura de Lula nela, afinal, ela não tem cara, não tem identidade na política. Isso pode ser bom para competir na eleição, mas esta falta de experiência política será péssima para a gestão. Além do mais, as alianças políticas são as piores possíveis. Algo até inimaginável: o PT, que subiu ao poder pregando a ética na política, hoje está associado a Sarney, Collor e Renan Calheiros, representantes das principais oligarquias políticas do Brasil coronelista. A estratégia de poder do PT não é mais ideológica, e sim fisiológica. Tudo é uma tática para ocupar o poder (e não exercê-lo, que é a função de quem é eleito).
E talvez o pior de tudo sejam os candidatos a senador, a deputado federal e estadual. Imagina a qualidade das decisões do Legislativo com Netinho no Senado, Tiririca na Câmara Federal e ainda Mulher Melancia, entre outros. É tudo o que um governo neoditatorial (ditadura pela democracia) deseja, um Legislativo sem força alguma, subserviente aos comandos do Planalto Central.
Eu desejo que políticos de qualidade, com respeito à ética e principalmente puros democratas, sejam eleitos agora em outubro. Não podemos deixar o Brasil virar uma Venezuela, onde não existe mais o direito a opinião, a economia está em frangalhos, a classe empresarial está fugindo do país e, por fim, o povo necessitado está ficando órfão. O Brasil melhorou muito, mas ainda não somos um povo politicamente educado. Ainda acreditamos no assistencialismo como resposta única aos problemas dos pobres, deixamo-nos dirigir por líderes carismáticos, e não por líderes eficientes. Estas características definem o povo brasileiro ainda na infância de um aculturamento político.
Eu desejo alternância no poder. A troca de partidos no comando do governo é muito salutar, pois evita ditaduras escondidas, reduz a corrupção, enfatiza a competência e torna o Estado mais eficiente. O funcionário público, desta forma, é mais técnico do que político, pois o torna independente do partido que está no governo e assim foca nas principais necessidades do seu cliente, que é o povo brasileiro.
Comemorei a eleição do Lula. Foi uma demonstração de que as instituições democráticas no Brasil estavam sólidas quando o povo colocou na cadeira de Presidente da República um operário sem nenhuma preparação escolar e de passado combativo ao regime militar. Fiquei mais feliz ainda quando o governo Lula continuou com programas corretas do governo FHC, afinal, precisávamos de continuidade para atingir a estabilidade. Os programas iniciais assistencialistas também tinham um apelo interessante, desde que usado com critério.
Mas fico muito preocupado quando vejo atitudes que querem quebrar esta conquista do povo brasileiro. Algumas dessas atitudes: a proposta de nova lei da imprensa que foi publicada pelo PT, a redução da autoridade do TCU, o aparelhamento de órgãos como Polícia Federal e, principalmente, a tática empregada por regimes de força, que é a propaganda estatal baseada em verdades criadas (como a tal herança maldita do governo FHC). E ainda a estratégia da política externa de aproximação diplomática com regimes nitidamente autoritários: Venezuela, Irã, Guiné Equatorial.
Fico preocupado quando as políticas assistencialistas estão servindo para "deseducar" o povo de uma visão crítica da política, quando estes programas servem para cegar a opinião de pessoas humildes. Sou da opinião de que se deve ensinar a pescar, e não dar o peixe. Sim, o índice de desemprego no Brasil caiu, o que nos leva a concluir que tem mais gente pescando do que antes. Mas temos que analisar de forma qualitativa estas informações. Qual foi a real contribuição do governo Lula nesta área? A economia absorveu mais mão de obra porque a economia mundial cresceu muito nos últimos anos (Lula não foi o responsável por isso), e o Brasil estava preparado para não perder este crescimento (preparado pelo FHC, com moeda estável, mercado bancário sólido e bons fundamentos para cumprir contratos). Muito havia o que fazer, muito foi feito e muito ainda há por fazer. Agora, quais foram os resultados dos programas assistencialistas? Quais famílias assistidas subiram de classe social por terem conseguido emprego?
Herança maldita é o resultado de décadas de más administrações. FHC foi o início da virada. Lula teve o mérito de dar continuidade à estabilidade e fez melhorias para consolidá-la. Portanto, afirmar que o governo Lula vem de uma herança maldita é, no mínimo, injusto, e com certeza é não reconhecer que alicerces estavam instalados. A atitude de falar desta herança é como a expressão popular "cuspir no prato onde comeu".
Não vi nada de novo no governo Lula. O melhor foi a continuidade. O pior foi o aparelhamento do Estado, os escândalos de corrupção e a total decepção com a ética. Eu quero a continuidade da política econômica. Eu quero o fim do uso do governo em proveito do que não seja única e exclusivamente do interesse do povo, do crescimento do País, da melhoria da qualidade de vida.
Por isso, minha conclusão é que Dilma não é a melhor opção. Não tenho certeza de que ela irá continuar o que está bom, que é a condução neoliberal da economia; e a corrupção e a falta de ética irão permanecer. Veja nos jornais que José Dirceu já está querendo a Casa Civil e os Ministérios da área econômica. Eles vão voltar....
Fabio Barnes fabiobarnes@hotmail.com
São Paulo
A disputa pela Presidência está polarizada entre Dilma e Serra. Na verdade, segundo as últimas pesquisas de opinião, a disputa será unipolar, se é que existe uma disputa somente com um polo. Mas se confirmando a vitória da Dilma, como será o governo dela? Ela terá a habilidade e força para controlar a ânsia da esquerda petista em transformar o governo em sede do PT e para peitar o avanço do PMDB nos principais cargos de órgãos e empresas estatais?
A Dilma, pelo seu passado voltado para a luta armada revolucionária, tem uma ligação muito forte com os radicais de esquerda, tem como ideologia o controle absoluto dos meios de produção e de comunicação. Apesar de não ser um membro histórico do PT, tem mais sintonia com algumas vertentes marxistas do PT do que o lado liberal. E foi o lado liberal do PT que conseguiu continuar as importantes mudanças que o governo FHC realizou. No Ministério da Fazenda, o Lula colocou o Palocci e no Banco Central, o Henrique Meirelles, que era deputado federal do PSDB por Goiás. Manteve as principais linhas liberais na gestão da economia: controle da inflação, controle dos gastos, Banco Central autônomo para garantir a moeda, cambio flexível. Portanto, não há garantia de que a Dilma mantenha a atual política econômica.
Ao longo do governo Lula, os principais líderes que poderiam suceder-lhe foram caindo pelo caminho: Dirceu, Genoino, Gushiken, Palocci. Todos caíram devido a escândalos no uso da máquina pública em proveito do partido e até próprio, como, por exemplo, o mensalão. A ecorradical Marina Silva também foi colocada de lado. Nenhum outro líder conseguiu aparecer, primeiro, porque o próprio Lula se fez tão iluminado que todos ficaram à sua sombra e, segundo, porque o PT carece de representantes para ocupar o cargo de presidente da República.
Assim, a Dilma foi escolhida porque, na verdade, não tem passado político, seria fácil colar a figura de Lula nela, afinal, ela não tem cara, não tem identidade na política. Isso pode ser bom para competir na eleição, mas esta falta de experiência política será péssima para a gestão. Além do mais, as alianças políticas são as piores possíveis. Algo até inimaginável: o PT, que subiu ao poder pregando a ética na política, hoje está associado a Sarney, Collor e Renan Calheiros, representantes das principais oligarquias políticas do Brasil coronelista. A estratégia de poder do PT não é mais ideológica, e sim fisiológica. Tudo é uma tática para ocupar o poder (e não exercê-lo, que é a função de quem é eleito).
E talvez o pior de tudo sejam os candidatos a senador, a deputado federal e estadual. Imagina a qualidade das decisões do Legislativo com Netinho no Senado, Tiririca na Câmara Federal e ainda Mulher Melancia, entre outros. É tudo o que um governo neoditatorial (ditadura pela democracia) deseja, um Legislativo sem força alguma, subserviente aos comandos do Planalto Central.
Eu desejo que políticos de qualidade, com respeito à ética e principalmente puros democratas, sejam eleitos agora em outubro. Não podemos deixar o Brasil virar uma Venezuela, onde não existe mais o direito a opinião, a economia está em frangalhos, a classe empresarial está fugindo do país e, por fim, o povo necessitado está ficando órfão. O Brasil melhorou muito, mas ainda não somos um povo politicamente educado. Ainda acreditamos no assistencialismo como resposta única aos problemas dos pobres, deixamo-nos dirigir por líderes carismáticos, e não por líderes eficientes. Estas características definem o povo brasileiro ainda na infância de um aculturamento político.
Eu desejo alternância no poder. A troca de partidos no comando do governo é muito salutar, pois evita ditaduras escondidas, reduz a corrupção, enfatiza a competência e torna o Estado mais eficiente. O funcionário público, desta forma, é mais técnico do que político, pois o torna independente do partido que está no governo e assim foca nas principais necessidades do seu cliente, que é o povo brasileiro.
Comemorei a eleição do Lula. Foi uma demonstração de que as instituições democráticas no Brasil estavam sólidas quando o povo colocou na cadeira de Presidente da República um operário sem nenhuma preparação escolar e de passado combativo ao regime militar. Fiquei mais feliz ainda quando o governo Lula continuou com programas corretas do governo FHC, afinal, precisávamos de continuidade para atingir a estabilidade. Os programas iniciais assistencialistas também tinham um apelo interessante, desde que usado com critério.
Mas fico muito preocupado quando vejo atitudes que querem quebrar esta conquista do povo brasileiro. Algumas dessas atitudes: a proposta de nova lei da imprensa que foi publicada pelo PT, a redução da autoridade do TCU, o aparelhamento de órgãos como Polícia Federal e, principalmente, a tática empregada por regimes de força, que é a propaganda estatal baseada em verdades criadas (como a tal herança maldita do governo FHC). E ainda a estratégia da política externa de aproximação diplomática com regimes nitidamente autoritários: Venezuela, Irã, Guiné Equatorial.
Fico preocupado quando as políticas assistencialistas estão servindo para "deseducar" o povo de uma visão crítica da política, quando estes programas servem para cegar a opinião de pessoas humildes. Sou da opinião de que se deve ensinar a pescar, e não dar o peixe. Sim, o índice de desemprego no Brasil caiu, o que nos leva a concluir que tem mais gente pescando do que antes. Mas temos que analisar de forma qualitativa estas informações. Qual foi a real contribuição do governo Lula nesta área? A economia absorveu mais mão de obra porque a economia mundial cresceu muito nos últimos anos (Lula não foi o responsável por isso), e o Brasil estava preparado para não perder este crescimento (preparado pelo FHC, com moeda estável, mercado bancário sólido e bons fundamentos para cumprir contratos). Muito havia o que fazer, muito foi feito e muito ainda há por fazer. Agora, quais foram os resultados dos programas assistencialistas? Quais famílias assistidas subiram de classe social por terem conseguido emprego?
Herança maldita é o resultado de décadas de más administrações. FHC foi o início da virada. Lula teve o mérito de dar continuidade à estabilidade e fez melhorias para consolidá-la. Portanto, afirmar que o governo Lula vem de uma herança maldita é, no mínimo, injusto, e com certeza é não reconhecer que alicerces estavam instalados. A atitude de falar desta herança é como a expressão popular "cuspir no prato onde comeu".
Não vi nada de novo no governo Lula. O melhor foi a continuidade. O pior foi o aparelhamento do Estado, os escândalos de corrupção e a total decepção com a ética. Eu quero a continuidade da política econômica. Eu quero o fim do uso do governo em proveito do que não seja única e exclusivamente do interesse do povo, do crescimento do País, da melhoria da qualidade de vida.
Por isso, minha conclusão é que Dilma não é a melhor opção. Não tenho certeza de que ela irá continuar o que está bom, que é a condução neoliberal da economia; e a corrupção e a falta de ética irão permanecer. Veja nos jornais que José Dirceu já está querendo a Casa Civil e os Ministérios da área econômica. Eles vão voltar....
Fabio Barnes fabiobarnes@hotmail.com
São Paulo
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